quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Rimas contínuas

Passam os anos
Mudam os planos
Novas viagens
Velhas tatuagens
Outros personagens
Some um rosto
Com ele o desgosto
Novo horizonte
Felicidade, uma ponte

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Salve, dia da independência!

Há um mês decidi dar uma chance aos acasos da vida, como de costume. Como um relâmpago que rasga um céu azul ensolarado surge uma nova pessoa. Um susto como que semelhante aos ocasionados pelos fenômenos temporais que, após o medo, trazem a chuva branda, que acaricia e alimenta sentimentos enterrados. "Oi, tudo bom?", fotos com amigos e uns passos de samba no meio da madrugada transformaram-se, três semanas depois, em uma nova história. Uma peça sobre Mario Quintana e uma festa anos 80 foram o prenúncio desencontrado de um novo enredo que aniversaria hoje. Eu fui à peça. Ele foi à festa. Num sete de setembro, fomos juntos ao show de Moraes Moreira. Num sete de outubro, fazemos planos. Parabéns, minha nova história! Salve, dia da independência!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Quebra de rotina

Bom dia, meus olhos pequeninos. Carro. Posto. Calibrar pneus. Buscar amigos. Carro cheio. Estrada. Parada em pequena cidade. Cerveja, suco. Mais asfalto. 120 km/h. Risadas. Bem-vindos a Pirenópolis. Malas. Pousada. Andar a pé. Almoço. Muito almoço. Tarde na piscina. Cerveja. Banho. Pizza. Noite. Noite mal dormida. "Estou sem sono". Calor. Ventilador. Amor. Sol invade a janela. Amor. Pão, queijo e presunto. Carro. Cachoeira. Água gelada. Fotos. Muitas fotos. Calor. Fome. Almoço. Banho. Carro. Brinde. Estrada. Parada. Corumbá. Estrada. Música. 60 km/h. Abraços. Malas. Lanche. Beijos. Carro e motorista. Casa. Calor. Banho. Ventilador. Cama de solteiro. Bom dia. Carro. 60 km/h. Trabalho…

P.S.: Quando os amantes dormem

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Carta confessa

Caro anônimo,

Não me faças crer que o mundo é meu. São tantas as sequóias que um ponto de um raio de luz não se percebe cá embaixo. Olho para o alto e vejo tanta altura, tanta robustez. Aqui, entre gamíneas, sinto-me igual, crescendo junto, e, mesmo entre elas, há os capins que crescem instintivamente, ininterruptamente.

Não me conheces, não sabes quem sou. Não entendes meus medos ou minhas angústias. Sei que devo enfrentar e adubar-me, mas isso requer tempo. Preciso encher a mala que carrego. Preciso senti-la pesada para ao menos encorajar-me de cutucar a árvore ao lado.

Não sei para onde ir. Minhas raízes são tão presas ao solo que parecem uma precaução, um aviso, um cuidado da terra para não deixar-me ir. É como se o chão soubesse quem deve subir aos céus ou não. E, então, sinto que ele me quer perto, para não querer ir mais alto do que alcanço.

Sei também que devo seguir meus próprios instintos. No entanto, sua linguagem me é ininteligível. Numa hora, dizem: coragem. Noutra: cuidado. Tenho os joelhos ralados de teimar ir mais rápido do que devo ou andar por onde me atrevo. Mas certamente um dia reconhecer-me-ei entre sequóias e gramíneas porque, como cantou Cazuza, eu (também) mereço um lugar ao sol.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Farpas inflamáveis

Falta de confiança. Acredito que nunca me demorei muito em pensar sobre isso. Talvez achasse que bastasse acreditar em mim mesma e não me importaria com o resto, que não acredita. Mas não, ela incomoda. Parece aquela minúscula farpa na bochechinha de um dos dedos. É uma coisa pequena, que chateia, e que, se não cuidada, inflama.
És farpa ou infecção?