segunda-feira, 4 de abril de 2016

Nada é suficiente

Nada é suficiente. Nunca, nada é suficiente. Faça o seu melhor e não será suficiente. Faça o pior e será, do mesmo jeito, insuficiente. Seja mediano e tampouco será suficiente. Nada, absolutamente, jamais, é ou será suficiente.

domingo, 6 de março de 2016

Cemitério de sonhos

Sonhos vêm. Sonhos se despedaçam. Sonhos impossíveis. Sonhos que se sonha só. Mais feridas. Mais mares nos olhos. Sorriso que some. Nova cicatriz em breve. Um corpo que mostra uma vida: feridas e cicatrizes. Tudo tão breve. Nada que perdura. Mundos opostos. Gelo que vira água em um estalo. O inimaginável que surge e se esvai. Força que mingua. Tantas interrogações. Mais uma luta contra si. Um cemitério de sonhos.

"Look, but don't touch. Touch, but don't taste. Taste, but don't swallow".

quinta-feira, 3 de março de 2016

Ando

Te encontrei
Você me viu
De repente
Aos poucos
Completamente

Você fala baixo
Eu rio alto
Você me fala de Deus
Te falo de Darín
Você é paz
Sou desassossego
Fomos verdade
Somos sonhos
Sangría no café
Coração sangra
Você me fala de nove anos atrás
Te falo de agora
Te quero demais
Distância demais
Aqui, deserto
Aí, oceano
Mergulhos no mar
Verto mares
Metade feliz
Metade doída
Metade que foi
Metade que fica

Andei depressa
Ando devagar
Andar é minha sina
Ando é meu sonho

Andei de mãos dadas
Ando de mãos soltas
Ando do outro lado do mundo
Ana do lado de cá do mundo
Ando perdida
Ando só
Ando...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Olhos de mar revolto

Do sabor doce ao tanino que trava a língua
De um olhar sereno a olhos de mar revolto
De palavras carinhosas a ofensas gratuitas
De cartas doídas a poemas desonestos
De uma conversa em lágrimas a pedidos e gritos de adeus
De um mês de bem-querer a um mês de pesadelo
Um mês sem compromisso
Cartas e abraços guardados
Outro mês com compromisso
Sem nada material na gaveta
Dois meses díspares e ímpares
E retorno à paz de seguir em frente
Desta vez, inteira.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Dia Mundial da Psoríase 2015

E chegou o dia dela, mais um. Ela que tanto me fez chorar, mas que, finalmente, hoje a enxergo com outros olhos. Hoje percebo que precisei dela para frear muito do que me fazia mal e não percebia. Precisei dela para aprender a fazer bem a mim mesma. Já encharquei travesseiros, já me cocei enlouquecidamente, já sangrei em meus lençóis, já me achei a coisa mais abominável, já não consegui vestir calça jeans. Hoje, acho que aprendi a aceitá-la e tento não dar mais tanta importância. E parece que, com isso, ela se acalmou e não me traz mais os seus sintomas mais fortes. Vejo meus lençóis limpos, não coço mais, visto calças jeans e choro por outros motivos. Hoje sinto que sou desejada e posso ser amada pelo o que sou, com minha feridas, minhas marcas, minhas lesões, minhas cicatrizes. Elas não me tornam pior ou menor. Essa doença faz parte de mim, mas não me resume. Começou pequenina e tomou e toma conta de metade do meu corpo. E não cheguei aqui sozinha. Precisei de broncas, afagos, preconceitos, lágrimas, abraços, para entendê-la, aceitá-la e me aceitar. E jamais pensei que agradeceria a ela, mas, sim, obrigada. Hoje sou uma pessoa melhor.