segunda-feira, 12 de maio de 2014

Tão cansada...

Depois de haver decidido ser feliz em todas as escolhas, acordo com um cansaço sobremaneira. Senti-me cansada com tudo o que de inusitado tenha surgido. São tantos fatos e tantas experiências inesperados que me esgotaram qualquer disposição. Não que surpresas não sejam bem-vindas, mas a fadiga prevaleceu diante de tanto acaso. É como se de tanto ter me aberto, agora eu gostaria de fechar-me. Mas, se eu me fechar, nem o que há de bom poderá me alcançar, mas me livrarei da loucura que atraio no mundo. Mas, para eu continuar aberta, falta-me energia. É como se houvesse, ao mesmo tempo, muita vida ou nada dela. Muitos vazios. Muitos pequenos momentos cheios de vida. Mas talvez eu queira apenas um momento grande cheio de vida. E não dá para prever ou saber se ele virá. Parece que a vida é uma grande inércia, percebamos ou não. É como se eu quisesse preencher todos os segundos diários e, ainda assim, é como se eu não preenchesse nada. Se eu não tiver mais a loucura do mundo perto de mim, sentirei falta? Ou estou cansada da lucidez constante que me denuncia a loucura presente? Vejo os outros e invejo a aparente normalidade. Mas talvez todos sejamos loucos ou tenhamos algo de louco. Não sei esperar. Tenho mania de viver. Tenho mania de dar chance. Vivo a estupidez e a intensidade até porque só vou saber o quanto estúpido ou intenso seja vivendo. Não padeço do “e se”. Só estou cansada de tudo e nada, como se tudo e nada fossem ou pudessem ser a mesma coisa.

Um comentário:

Nilson Ferreira disse...

BELÍSSIMO TEXTO. Li 3 vezes.