domingo, 27 de setembro de 2015

A doçura esquecida

Por mais breve ou longo que seja, por mais que um infinito seja menor ou maior que outros infinitos, é surpreendente sentir a doçura esquecida do mundo. Uma mão que toca a sua pele sem sentir a aspereza que ela possui. Um colo para assistir um filme que sempre vem junto com uma mão a afagar o cabelo e as costas. Olhos que enxergam o que pode haver de melhor. A disposição de acompanhar momentos de farra, preguiça ou supermercado. A naturalidade de brincar com os gatos que insistem em ficar próximos na cama. Um abraço que já viu gargalhadas e lágrimas e deu passos de samba. Um cuidado, um carinho, por quem se conhece tão pouco e, por ser tão pouco, emociona. Disse-me que é preciso olhar nos olhos. Disse-me que meus olhos falam. E jamais entendi a língua que falam, mas ele parece interpretá-los. Não sei o que será de meus olhos, de mim e da doçura esquecida do mundo. Mas vale a pena que tenha me lembrado de sua existência e do quanto isso pode adoçar a esperança, a vida, o dia a dia.

Para uma pessoa especial com quem esbarrei na madrugada em meio a uma roda de violão

Um comentário:

Bruno Henrique disse...

O que dizer?
Eu não sei.
Um grito? Tal qual o do estrangeiro?
Ainda não sei.
Porém, algo é certo. Naquela madrugada, não houve o desencontro dito por Vinicius.
Não há, portanto, o que dizer, a não ser que coisa bonita foi encontrar você.

Bruno