sábado, 7 de março de 2009

Roberto Corrêa e Siba Veloso lançam CD em em show na Granja do Torto

Ana Rita Gondim

A fusão da cultura do planalto central com a do nordeste é a peculiaridade da terceira noite do 9º Encontro de Folia de Reis do Distrito Federal. O violeiro mineiro Roberto Corrêa, residente em Brasília há mais de 30 anos, e o pernambucano Siba Veloso - um dos criadores do extinto grupo Mestre Ambrósio - estarão juntos neste sábado (07/03), às 22h30, no palco da Granja do Torto para lançar o disco Violas de Bronze. A entrada é franca e a classificação indicativa, livre.

“Nós criamos as nossas músicas tendo como base nossas referências culturais. Então, o disco tem uma sonoridade peculiar, é um encontro singular das regiões. As pessoas vão apreciar o trabalho, tanto o público do Nordeste como o público daqui vão gostar do resultado”, promete Roberto Corrêa.

Para caracterizar suas respectivas regiões, Corrêa toca viola caipira e viola de cocho (instrumento típico de Mato Grosso). Siba entra com a viola nordestina e com a rabeca. “Ao mesmo tempo que representa a junção das duas regiões, é também um trabalho autoral de dois artistas individuais, com histórias bem diferentes. Para mim, foi uma experiência enriquecedora. O Corrêa me obriga a correr muito para acompanhá-lo, ele é um virtuose, dedicou-se a vida inteira a tocar muito bem um instrumento. Eu já sou mais ligado ao texto, à poesia rimada. A gente somou bastante um ao outro”, conta o músico pernambucano.

A apresentação de Roberto Corrêa e Siba integra o terceiro dia do encontro, que começou na última quinta-feira e vai até amanhã. O evento mantém viva a tradição das folias de reis, herdada da colonização portuguesa, e permite ao público assistir a um repertório variado da cultura popular, tanto em termos musicais como de crenças, valores e conhecimentos tradicionais (confira a programação).

Para o violeiro Roberto Corrêa, o encontro é uma oportunidade única tanto para os convidados quanto para o público. “É como assistir a um show num galpão, num bar, é bem informal. Na verdade, é um grande pouso de folia”, compara. Siba se diz animado com a apresentação de hoje à noite. “Brasília tem tradicionalmente um público bem aberto. Minha expectativa aqui é sempre a melhor possível”, revela. Após o show da dupla, André e Andrade sobem ao palco.

Amanhã, os brasilienses assistirão à grande dama da cena caipira brasileira, Inezita Barroso, que será acompanhada do Grupo Feminino de Folia de Reis de Vazante (MG). A abertura do show ficará por conta das duplas Kleuton & Karen, Rosa Branca & Canarinho e Caipira & Caipora.

Publicado no Divirta-se

quinta-feira, 5 de março de 2009

Eu quero um deste!

"…A mulher que ninguém quer, eu quero. Contraditória, incoerente, descabida. Que me envergonhe para respeitá-la. Que me reconheça para nos fortalecer.

A mulher que não sabe amar recuando e não tolera que eu ame atrasado. Que parcele em dez vezes seu dia, que não pague a conversa à vista na hora do jantar, que não junte suas notícias para contar de noite como um relatório. Admiro os bocados, as porções, as ninharias. Alegria pequena e preciosa de respirar rente ao seu nariz e definir com que roupa vou ao serviço.

O amor é uma comissão de inquérito, é abrir as contas, é grampear o telefone, é cheirar as camisas. É também o perdão, não conseguir dormir sem fazer as pazes.

O amor é cobrança, dor-de-cotovelo, não aceitar uma vida pela metade, não confundi-la com segurança. Exigir mais vontade quando ela se ofereceu inteira. Enlouquecê-la para pentear seus cabelos antes do vento. Enervá-la para que diga que não a entende. E entender menos e precisar mais.

Quem aspira ao conforto que se conserve solteiro. Eu me entrego para dependência. Não há nada mais agradável do que misturar os defeitos com as virtudes e perder as contas na partilha.

Não há nada mais valioso do que trabalhar integralmente para uma história. Não raciocinar outra coisa senão cortejá-la: avisá-la para espiar a lua cheia, recordar do varal quando começa a chover, decorar uma música para surpreendê-la, sublinhar uma frase para guardá-la.

Sou doido, mas doido varrido. Bem limpo. Aprendi a usar furadeira e agora entro fácil em parafuso. Quero uma mulher imatura, que possa adoecer e se recuperar do meu lado. Uma mulher que me provoque quando não estou a fim. Que dance em minhas costas para me reconciliar com o passado. Que me acalme quando estou no fim do filtro. Que me emagreça de ofensas.

Não me interessa um tempo comigo quando posso dividir a eternidade com alguém.

Quero uma mulher que esqueça o nome de seu pai e de sua mãe para nascer em meus olhos. Em todo momento. A toda hora. Incansavelmente. E que eu esteja apaixonado para nunca desmerecê-la, que esteja apaixonado para não diminuí-la aos amigos."

Texto de Fabrício Carpinejar

quarta-feira, 4 de março de 2009

Quarteto Radamés Gnattali apresenta o concerto Bem Brasileiro no Teatro da Caixa

Ana Rita Gondim
Do Correiobraziliense.com.br

Brasília será duplamente presenteada com espetáculos esta semana, no ano marcado pelos 50 anos de morte do maior compositor brasileiro de música erudita, Heitor Vill-Lobos, e pelo Dia Nacional da Música Clássica, comemorado em 5 de março. Para a homenagem, o celebrado Quarteto Radamés Gnattali faz duas apresentações pelo concerto Bem Brasileiro no Teatro da Caixa, nesta quarta e nesta quinta-feira (04 e 05/03), às 20h.

O quarteto de cordas – grupo musical formado tradicionalmente por dois violinos, uma viola e um violoncelo – é integrado por Carla Rincón (primeiro violino), Vinícius Ferreira (segundo violino), Fernando Thebaldi (viola) e Paulo Santoro (violoncelo). Para o violista Fernando Thebaldi, o quarteto de cordas é o filet mignon da música clássica. “Desde o classicismo, o quarteto de cordas é sempre um desafio, é o crème de la crème da composição. E Villa-Lobos é um dos compositores mundiais com maior número de obras para quarteto”.

O grupo vai apresentar ao público uma pequena parte da obra de Heitor Villa-Lobos, os Quartetos números 5 e 6. O violoncelista Paulo Santoro explica que o número 5 é o mais leve de Villa-Lobos (intitulado por ele próprio de popular), em que há elementos folclóricos brasileiros e que, por isso, há uma resposta muito rápida da plateia. Já o número 6 acompanha o músico há tempos, desde que começou a se embrenhar nas trilhas de Villa-Lobos.

Além de tocar peças do mestre carioca, os instrumentistas não podiam deixar de executar obras de outro grande compositor nacional, o Radamés Gnattali. “Nós temos, entre aspas, uma obrigação de tocar Radamés”, brinca o violoncelista, referindo-se ao fato de o nome do conjunto ser uma referência ao artista. Serão duas peças com cerca de três minutos cada. “Essas composições são referência na obra de Radamés, por isso quem não o conhece tem uma amostra de todo o seu trabalho”.

Diante da tamanha importância de Villa-Lobos para a música brasileira e da sua representatividade no exterior, Santoro lamenta que as comemorações feitas em Brasília e no restante do país são muito poucas. “Eu acho que ele deveria ter muito mais homenagens do que tem. Foi a partir de Villa-Lobos que a nossa música ficou conhecida lá for a. Hoje as orquestras já o incluem em seu repertório, mas deveriam tocá-lo ainda mais”.

Em novembro, o Quarteto Radamés Gnattali enfrenta o desafio de tocar ao vivo no Rio de Janeiro todas as 17 composições de Villa-Lobos para quarteto de cordas.

Dia Nacional da Música Clássica

A data foi instituída no município do Rio de Janeiro em 2006. No ano seguinte, o governo do estado oficializou a comemoração. Em 13 de janeiro deste ano, o dia 5 de março foi definido como o Dia Nacional da Música Clássica, assinado em decreto pelo presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva. A data foi escolhida em homenagem ao dia de nascimento de Heitor Villa-Lobos.

Publicado no Divirta-se

terça-feira, 3 de março de 2009

Escolha mal feita

Encontrei um bichinho encolhido agarrado a uma raiz de planta em um lugar escondido, frio, deserto. Desorientada, não soube discernir o local. Olhava-o de longe, observando-o se realizava algum movimento. Tremia-se, estava mal, mas não tanto quanto poderia parecer. Percebi que sentia frio, que estava fraco, mas tinha força suficiente para segurar a raiz de uma hera que não sei porque razão a mantinha tão junto. Chego mais perto e vejo que não era só a raiz, mas também alguns pedadinhos que pareciam haver sido cortados e ele, de alguma forma, queria uni-los novamente.

Não sabia como me aproximar ou até se devia, mas algo não me deixava sair de perto daquele bichinho. Dou alguns passos e vejo que as suas garras estão escondidas para não machucar o que ele tanto protege. Em mais um passo, piso em folhas secas e reparo que há tantas mais espalhadas pelo chão. Não era tempo para isso, era tempo de as folhas ainda estarem presas aos galhos das árvores e tudo pintado de um verde vivo iluminado de tanto sol. Olho mais ao longe e tenho a impressão de que as estações se desentenderam e o outono chegou antes do tempo.

Começo a não entender mais nada e suponho que o que aconteceu ao bichinho aconteceu a tudo ao seu redor. Ando quilômetros para buscar alguma luz, algum verde ou algo que explicasse a mudança do tempo ou a atitude daquele bichinho. Quando começava a me sentir cansada de tanto procurar, enxergo um muro em ruínas, uma espada manchada e restos destruídos do que parecia ser de uma planta, semelhante àquela que o bichinho trazia recôndita em suas mãos. Pensei que pudesse salvar mais alguma coisa da hera e levar-lhe com a intenção de fazê-lo sentir-se melhor, mas tudo que podia ser salvo estava com ele.

Quem o fizera, porque o fizera, não pude descobrir. Vi apenas vestígios que seriam supostamente de alguém que veio de longe e, depois de desferido o golpe, retornou ao seu local. Olhava e não conseguia entender nada daquilo. Mas lembrar aquele bichinho me doía e eu queria encontrar algo que amenizasse o que quer que o estivesse acontecendo. O que restou da plantinha estava com ele. Então, reconstruir o muro me veio como a única idéia capaz de trazer-lhe forças novamente para se levantar e trazer o verde e o brilho a sua volta.

Retorno e ele ainda se encontra do mesmo jeito, na mesma posição, agarrado da mesma forma, com a mesma força àquilo que lhe fazia algum bem. Ao mostrar-lhe uma pedra que trouxe para começarmos a obra, ele suspira e me fala baixinho e lentamente que ainda não era hora e que ele precisava se restabelecer, poupar energia para o longo trabalho pela frente. E, em todo esse tempo, a plantinha não secava, não morria, em suas mãos. Seu calor, sua vida, mantinham-na viva.

Deito então ao seu lado. Faço-lhe carinho, aqueço-o com o meu corpo junto ao seu. A plantinha não morria, mas tampouco crescia. Percebo então que ela precisa do muro para crescer rente, ao alto, longe. E, para construir o muro, haveria necessidade de forças. Ao pensar isso, fiquei tranquila, pois só o tempo para reerguer o bichinho e ele reconstruir seu muro, fincar as raízes de sua hera no solo e deixá-la seguir seu caminho. Deitados ali, a aflição substituiu a tranquilidade inicial. Percebo que o braço que acaricia o bichinho acaricia a mim mesma, o corpo que o aquecia busca calor de outro lugar para aquecer a mim mesma.

Sem nem saber, tornei-me mãe e companheira de mim mesma porque descobri que sou minha única casa. Levanto-me, abro os olhos, um tanto inchados, me preparo para organizar a bagunça que fiz em meu próprio ninho e separo as sementes que se tornarão rosas, girassóis e begônias a embelezar meu caminho. E, assim, construirei meu muro e minha plantinha renascerá...

"A esperança é um urubu pintado de verde".
Mario Quintana

"Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos…"
Vinicius de Moraes

segunda-feira, 2 de março de 2009

Cineclube bancários abre a temporada de 2009

Ana Rita Gondim
Do Correiobraziliense.com.br

Assistir a filmes brasileiros e poder debater em seguida com entendidos do assunto parece um sonho para quem aprecia a sétima arte. Ainda mais quando a exibição é de graça. Mas, contrariando a lógica, o Cineclube Bancários abre temporada nesta segunda-feira (02/03), às 20h, pelo terceiro ano consecutivo, com exibições gratuitas e bate-papos inteligentes.

As sessões do mês de março foram escolhidas para homenagear as mulheres devido à comemoração do Dia Internacional da Mulher (08/03). Para o primeiro dia de exibição, foi eleito o clássico Todas as mulheres do mundo, longa-metragem de Domingos Oliveira, com Leila Diniz e Paulo José no elenco.

O filme, de 1967, é baseado no relacionamento do cineasta com Leila Diniz. Trata-se do jornalista bon vivant Paulo (Paulo José), que pretende interromper as suas constantes paqueras nas praias cariocas para viver uma história com apenas uma mulher após encontrar o seu verdadeiro amor, Maria Alice (Leila Diniz).

Compromisso com o público
O projeto contabiliza desde a sua criação, em agosto de 2007, mais de 50 sessões com cerca de 90 filmes exibidos (curtas e longas-metragens) e com aproximadamente 7.500 espectadores no total. A produtora cultural Ana Arruda alegra-se com o respaldo do público. “O que propomos é uma solução ativa, que está funcionando. No projeto, as pessoas não ficam passivas, têm um contato direto e constante, pois o projeto é semanal, não é efêmero. A gente tem um compromisso com o público e com o cinema”.

A proposta de difundir o cinema nacional gratuitamente surgiu do próprio Sindicato dos Bancários e, segundo Ana Arruda, era uma ideia planejada há mais de uma década. Em 2009, o projeto completa três anos e promete ficar. “É muito bacana, temos um público fiel, a maioria das pessoas permanece na sala. São cinéfilos de plantão. Mas os espectadores também variam conforme o filme”, conta Ana Arruda.

Publicado no Divirta-se