terça-feira, 21 de outubro de 2008

Nomes e suas heranças

Mas nome é só um nome. Recordamo-nos das pessoas, às vezes, mais pela alegria contagiante, pela figura taciturna sentada ao lado, por uma gargalhada, por bons e maus momentos vividos juntos, por uma expressão maldita ou bendita, por uma viagem, por confidências trocadas, por um abraço na hora certa, por uma foto amarelada. Não sei porque me ligo em um nome...

Mas percebo que dou importância às pequenas coisas. Muitas pessoas têm o costume de imaginar nome dos filhos antes de pensar em tê-los. Mas eu não tenho lista dos nomes pretendidos, tenho a lista dos nomes “incolocáveis”.

O costume que eu tenho, então, é o de que um nome transmite, o que ele me lembra. Se dor, sofrimento, traição, desgosto, mentira, esperteza pequena e barata, desses indignos um filho meu jamais herdaria a carga negativa em um nome. Não poderia chamá-lo de uma forma que traria à memória coisas ruins, lembranças dolorosas, pessoas desgostosas.

Mas, como sempre disse, não penso em ter filhos. Em alguns, encontro salvação. Neste caso, em Machado de Assis: “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria”. Ou, quem sabe, o dia que eu tiver extirpado a miséria de meus olhos, eu venha a pensar em nomes pretendidos...


Vó Rita e Ana Rita

2 comentários:

paulopaniago disse...

cara, essa avó deve ter beijado muito essas bochechas, hein?
o velho shake era quem perguntava: o que há num nome? bacana isso e muito do que ele desenvolve depois também.
outro que também fala muito em nomes é josé almada negreiros, o escritor português, conhece? danado, o cara, além de ilustrador de mão cheia.
nomes são cartões de apresentação, vão na frente, te representar. beijos.

Srta T. disse...

Gosto de pensar em nomes mesmo lutando um pouco contra e ao mesmo tempo ao lado da idéia-miséria. isso é um assunto que muito me comove, sempre...